Terminologia Correta

Além da nobre missão de comunicar e informar, de forma clara, objetiva e imparcial, cabe também aos profissionais de comunicação, bem como a todos os formadores de opinião, a nobre contribuição de disseminar conceitos a cerca de determinados temas. Os profissionais sérios, que gozam de credibilidade, embora não tenham essa obrigação, podem - de maneira solícita - difundir informações a respeito da forma correta sobre como discorrer sobre determinados temas. 

Neste sentido, mais do que simplesmente difundir terminologias, os profissionais de comunicação, ao passo que "disseminam" conceitos corretos, estão oferecendo uma grande contribuição social. Expressar-se corretamente também é um exercício de respeito à diversidade humana. Dessa forma, ao produzir pautas sobre as pessoas com deficiência, é importante atentar para as informações abaixo. 

Necessidades Especiais?
É importante combatermos expressões que tentem atenuar as diferenças, tais como: "pessoas com capacidades especiais", "pessoas com eficiências diferentes", "pessoas com habilidades diferenciadas", "deficientes", "pessoas especiais" e a mais famosa de todas: "pessoas com necessidades especiais". As "diferenças" têm de ser valorizadas, respeitando-se as "necessidades" de cada pessoa. 

O termo "pessoas com necessidades especiais", discutido desde a década de 70, referia-se às necessidades específicas de cada pessoa, com ou sem deficiência. Entretanto, no Brasil o termo acabou por ser utilizado erroneamente como identificação única de pessoa com deficiência. 

Portador(a)?
Devemos ficar atentos à evolução histórica dos termos. "Portador de deficiência", "pessoa portadora de deficiência" ou "portador de necessidades especiais" não são mais utilizados. A condição de ter uma deficiência faz parte da pessoa. A pessoa não porta uma deficiência, ela "tem uma deficiência". 

Tanto o verbo "portar" como o substantivo, ou adjetivo, "portadora" não se aplica a uma condição inata ou adquirida que faz parte da pessoa. Ou seja, a pessoa só porta algo que ela pode deixar de portar. Por exemplo, não dizemos que uma pessoa "é portadora de olhos verdes", dizemos que ela "tem olhos verdes".    

Pessoa com Deficiência
Há uma associação negativa com a palavra "deficiente", pois denota incapacidade ou inadequação à sociedade. A pessoa não é deficiente, ela "tem uma deficiência". Os movimentos mundiais de pessoas com deficiência, incluindo os do Brasil, já convencionaram de que forma preferem ser chamados: PESSOA (S) COM DEFICIÊNCIA. 

Esse termo faz parte do texto aprovado pela Convenção Internacional para Proteção e Promoção dos Direitos e Dignidades das Pessoas com Deficiência, aprovado pela Assembléia Geral da ONU, em 2006 e ratificada no Brasil em julho de 2008.